Nesta semana que se passou, de 26 a 29, estive em Brigthon/UK no Flash On The Beach 2010. Foi minha terceira vez neste evento com foco em Multimedia e em tudo que envolve a Plataforma Flash. Confesso que minha percepção geral foi de que o nível do evento caiu em relação aos anos anteriores. Vi speakers abaixo do que se esperava. Alguns não sabiam bem sobre o que estavam falando e ainda utilizavam boa parte do tempo para se autopromover. A carência de inovações fez diminuir o volume das palmas na maioria das apresentações. Com isso tive a certeza de algo que já imaginava e para argumentar sobre isso faço abaixo um pequeno resumo sobre as 3 últimas edições do FOTB.
2008
Foi meu primeiro ano de conferência. As inovações explodiam com as constantes evoluções na área do 3D. APIs como Papervision3D e Away3D que dominavam os FWAs eram a sensação da conferência. O mercado havia percebido o impacto em criar experiências em 3D. Os clientes desejavam, os marketeers desejavam. Estava na moda e todos os developers buscavam aprender mais sobre isso.
Outra área que teve foco neste ano foi a da criação de artes com código. Artistas como Erik Natzke, Mario Klingemann e Joshua Davis encantaram a todos com belíssimas imagens produzidas em Flash/AS3. Foi realmente o ano das inovações. Cada apresentação gerava emoções e era nítido o espanto de todos nas conversas de corredor. A pergunta na mente de todos era: Onde será que isto vai parar???
Ainda neste ano ficava cada vez mais clara a definição de que somos Multimedia Developers e não apenas Flash Developers. Apresentações com foco em Processing e instalações offline mostravam que nosso trabalho não se limita ao flash player, browser ou web. A ligação com o desenvolvimento Java e C/C++ mostrava-se fundamental quando trabalhamos com foco na Experiência do Utilizador.
2009
Foi o ano em que a Adobe mostrou que investiria forte. O anúncio da saída de Ralph Hauwert do projeto Papervision e a sua apresentação sobre a nova Classe Vector para Flash Player 10 geraram boatos de que este havia sido contratado pela Adobe. Outra notícia que mostrava este cenário de investimento foi o anúncio da contratação de Thibault Imbert (www.bytearray.org) como Project Manager do Flash Player. Uma ótima notícia, pois este talento realmente vem estudando profundamente optimizações para o Flash Player. A Adobe aproveitou o momento para anunciar o lançamento do Flash Builder e as impactantes inovações para o Flash CS4 Pro agora com 3D nativo, MotionTween e tools para a criação de bones.
Evoluções no campo do 3D e BitmapData eram apresentadas, mas ja era nítida a impressão de que as pesquisas estavam a frente do que o flash player permitia. Era e ainda é fato de que os sites em 3D e com uso da Drawing API sobrecarregam muito o processamento e assim, eram muitas as apresentações com foco em optimizações. Muitas destas entravam no campo das operações com bytecodes e por isso o estudo da Classe ByteArray foi o grande protagonista nesta edição. Encoders para arquivos de som, imagem e outros formatos como PDF surgiam. André Michele (http://blog.andre-michelle.com) encantou a todos com seus labs com manipulação de som.
Era unânime a opinião entre os top developers do evento de que o caminho para expandir as capacidades de processamento do Flash Player era buscar acesso directo a memória GPU( Unidade de Processamento Gráfico ) como fazem os games para PC desenvolvidos em C, C++ com OpenGL. O browser possui limites de acesso a memória que a Adobe não pode controlar. Então o caminho seria acessar directamente o processamento da placa de vídeo utilizando operações binárias agora possíveis com o ByteArray. Assim a conterência terminou com muitas promessas futuras.
2010
E as promessas feitas na edição de 2009 não vieram. Entendo que este processo de reformulação do Flash Player é realmente complicado e deve ser feito como se deve, sem pressa. Tive a certeza de estamos numa era de transição na plataforma. Já ultrapassamos os limites e somente quando for lançado um Flash Player mais poderoso é que veremos novas inovações.
Sendo assim, o grande protagonista deste ano foi um pequeno aparelho que faz muitas coisas, inclusive ligações telefónicas. O mobile dominou grande parte das apresentações, mas por incrível que pareça não vi nada para IphoneSDK. Parece que o boicote a Apple continua forte. O Android só ganha com isso. Para se ter ideia: A apresentação sobre o novo Adobe Air 2.5 para Android foi tão procurada que foi repetida nos 3 dias e para assistir tínhamos que enfrentar longas filas. Um fato até curioso: Livros sobre AS3 eram minoria. Livros sobre Android, Iphone/Ipad e HTML5 empurraram o livros sobre Flash/AS3 para um canto da prateleira. Mais um sinal da estagnação de evolução do AS3. Mas nem tudo está parado. Os Project Managers da Adobe anunciaram algumas novidades para o Flash Pro e Flash Player que deixaram a todos entusiasmados com o futuro. As 3 principais foram:
- O novo Flash Pro virá com um novo modo de compilação no qual em cada publicação somente o que foi alterado é recompilado. Isso faz com que o tempo para a compilação diminua drasticamente. Se alteramos algo em um .fla pesado não teremos mais que esperar que todo o fla seja recompilado. Para mim que já abandonei os projectos baseados no Flash IDE há tempos não muda muito. Mas com certeza é uma bela notícia para designers e developers web que perdem longos minutos cada vez que mudam uma vírgula e têm de esperar para ver o resultado. Enfim o fim do pesadelo do crtl+enter.
- O novo Flash Pro virá que uma nova opção para os MovieClips em que se pode exportar este objecto como um Bitmap. Ótima notícia para os designers. Será assim possível criar um mc todo em vector com inúmeros layers, aplicar filtros e bends como quiser e optar por uma exportação como bitmap. Isso optimiza e muito o processamento do player já que este objeto será considerado apenas como uma imagem e não como um vetor. Isso diminui um pouco o atrito que muitas vezes ocorre entre developers e designers sobre a relação processamento x montagem do fla. A realidade é que muitas vezes fica mais optimizado importar um PNG do que criar algo vectorial no Flash. Torna-se viável assim a maior utilização de programas vetoriais como Ilustrator, além de ser melhor para manutenções dos sites ter tudo em vetorial no fla.
- O novo Flash Player terá uma optimização em relação a processos com vídeos que promete resolver de vez os problemas de processamento. Atualmente trabalhar com vídeos é sempre complexo, pois este sobrecarrega o processamento por si só. Quando desejamos então utilizar um vídeo como background com o conteúdo sobreposto é algo terrível assumido pela Adobe. Thibault Imbert, Flash Player Project Manager, realizou testes em realtime em que exibia vídeos com conteúdo sobreposto. Com o player atual o processamento no Mac ficava em no mínimo 95% de uso do CPU, mas quando utilizou o novo protótipo do player este processamento não passava dos 5%. Ótima notícia para o mercado, já que os sites com vídeos estão cada vez mais na moda. Vejam mais sobre esta optimização em: www.bytearray.org.
O mais interessante nesta edição foi perceber a tendência cada vez maior de se estudar as forças de físicas para criar APIs e Labs. Realmente vemos developers evoluindo tanto que desejam criar experiências com base em movimentos da natureza, algo muito complexo. Estudos avançadas sobre forças magnéticas, Reaction Difusion e outras áreas com cálculos matemáticos muito complexos daqueles que nada adianta ir ao wikipedia se veremos apenas fórmulas gigantesca e teoremas. Trabalhar com AS3 e Multimedia hoje em dia exige fortes bases de Matemática, Física e outras ciências. Os projectos impactantes de hoje em dia não são mais uma simples lista de classes com códigos. São desenvolvidos com base em estudos complexos vistos somente no campo da engenharia.
Em resumo: A plataforma Flash está em momento de transição. De um lado veremos uma explosão na área de Mobile/Android e por outro lado vemos os developers aguardando um novo Flash Player poderoso que suporte as loucuras possíveis com a combinação de AS3 com outras linguagens em estudos complexos das ciências. Estamos a porta de uma nova era em que realmente veremos games estilo Playstation3 e outras experiências interativas surpreendentes e em realtime na web desenvolvidas em AS3.
Vejam mais sobre o evento em: www.flashonthebeach.com

